A privacidade é algo que devemos prezar



Passado algum tempo da entrada em vigor do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD), aplicado desde 25 de maio de 2018 e que veIo substituir a diretiva e lei de proteção de dados pessoais, muitas empresas quase destruíram as suas bases de dados, outras ainda se estão a adequar e talvez algumas pessoas nem sequer estejam a cumprir a legislação de proteção de dados pessoais.


Se está a ler este texto é porque tomou conhecimento por uma de duas vias: ou livremente o consultou e leu no meu blog ou em algum post das redes sociais, ou porque faz parte da minha listagem de email e eu lho enviei numa newsletter.


Se foi a segunda hipótese, então em algum momento estivemos em contacto e me cedeu o seu email ou o tornou público e pode ter sido antes da entrada em vigor do novo procedimento de proteção de dados e, sinceramente, eu não tive coragem de deitar fora um dos bens mais preciosos que tenho na minha profissão que é - a minha lista de contactos!


Até ao prazo limite de adequação da Lei, enviei muitos e-mails aos meus contactos a perguntar se desejavam continuar a receber os meus e-mails (talvez não se lembre) e informei que poderia deixar de os receber, bastando para isso retirar-se da minha lista de email marketing, clicando no unsubscribe ou em “retirar-me da lista” na base de cada newsletter.


Vou-lhe confessar que 99% das pessoas não agiram e continuei a enviar os meus e-mails. Sei que não sou abusiva ou intrusiva e não cedo ou vendo o seu email a terceiros.


Este regulamento emana de uma directiva europeia, mas, nós somos contactados por empresas de todo o mundo e muitas americanas ou de outros países, cujas regras de proteção de dados não são iguais, ou são parecidas com as que tínhamos antes. Manter o sigilo, é a principal característica.

A grande diferença está que agora qualquer subscrição tem de ser consciente, ou seja, eu tenho de estar autorizada por si a lhe enviar este tipo de e-mails e não, como antes, obter o seu email e usá-lo para o que me aprouver sem a sua autorizacao expressa.


O grande problema para a maioria de quem envia este tipo de informação como eu o faço é que o faz com regularidade e mesmo tendo insistido na resposta por parte dos vários contactos de responderem se queriam ou não continuar a receber informação, acaba por funcionar o “quem cala consente”, ou seja, na ausência de resposta subentende-se que não decidiu cortar o nosso contacto e, por isso, me está a ler.


E se agora não quiser mais fazer parte da minha lista? Pode retirar-se usando o link Unsuscribe, mas, não use, por favor! :-)


Desde a bronca de Mark Zuckerberg, com o Facebook envolvido numa das maiores falhas de sigilo de dados dos utilizadores e que afetou mais de 60 mil portugueses e 87 milhões de pessoas em todo o mundo que as pessoas se aperceberam realmente que uma falha destas pode afetar muito a nossa vida e, neste caso, até afetou as eleições presidenciais de uma superpotência, como os Estados Unidos.

No momento em que o senador Durbin pergunta a Zuckerberg se se importaria de dizer o nome do hotel onde ficou alojado ou partilhar publicamente as mensagens que trocou hoje, Mark fica visivelmente atrapalhado e admite que sim.


Ninguém gosta de ver a sua vida devassada, nem as suas coisas mexidas, quanto mais por estranhos e o certo é que, é admitido que os funcionários podem ter acesso à informação dos utilizadores do Facebook.


Isto leva-nos a romances de Kafka e Orwell que são, não mais do que alertas ou, exercícios de o quanto podemos ser manipulados ou controlados por quem detém informação.

E isso é assustador e dá que pensar!


Na vida comercial que é transversal a todas as áreas e indústrias, pois nenhuma sobrevive sem clientes, são muito importantes as bases de dados.


Vivemos preocupados com as leads, os funis de vendas, os CRMs e procuramos saber as necessidades dos nossos clientes, classificá-los, qualificá-los, chama-se a isso marketing!


Todos somos igualmente consumidores e nós próprios queremos estar informados, ser inclusivos ou sociais e, por isso, fornecemos os nossos dados para cartões, listagens de mailing, compras, eventos, redes sociais e muito mais.

Nos sistemas de mensagens e redes sociais partilhamos o privado que fica registado no sistema dos provedores de serviço.


Assim, como fornecedores e empresa, temos e devemos zelar pelo sigilo e assegurar a privacidade da informação que nos é cedida, usá-la apenas para o objetivo que nos foi cedida, ter procedimentos e sistemas que vinculem ao sigilo quem acede a essa informação e nunca ceder a mesma a terceiros, senão com autorização dos proprietários desses dados.

Como consumidor, deve perceber que dados fornece e a quem os está a ceder e deve ser cuidadoso naquilo que partilha, porquê e a quem.


Há coisas que como dizia a nossa Amália Rodrigues “nem às paredes confesso”.

Assim, conte com a minha descrição e mantenha-se em contacto, pois, só guardo os seus contactos para este fim de reflexão e informação.


Boas leituras!

Clarisse Macedo

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