Produtividade. Menos é mais.




A produtividade é conseguir produzir mais? Ou gastar menos? É fazer mais em menos tempo?

Ou se produzirmos o mesmo, mas com menos recursos também estamos a ser mais produtivos?


O termo produtividade foi utilizado pela primeira vez como a capacidade para produzir, no Sec XIX.


Somente no inicio do século XX, assumiu o significado da relação entre o produzido e os recursos empregues para produzi-lo.


Em 1950 a Comunidade Económica Europeia apresentou uma definição formal de produtividade como sendo o quociente obtido pela divisão do produzido por um dos fatores de produção, designadamente, tempo, trabalho, matérias-primas, associando-se a produtividade à eficiência e ao tempo: quanto menor for o tempo levado para obter o resultado pretendido, mais produtivo será o sistema.


Segundo Sousa, “(...) melhorar a produtividade é colher benefícios sem incorrer em custos (...) é combinar de uma forma tal os recursos envolvidos que daí resulte um aumento do output resultante sem acréscimo de inputs. Afinal produtividade é o grau de eficiência na utilização de recursos” (1990, p. 167).


A produtividade está relacionada com a eficiência existente na utilização dos inputs para a produção de outputs.


Aplicando ao nosso desempenho, significa aumentar a nossa produtividade sem que tenhamos de despender mais energia, dinheiro, matéria-prima, tempo, trabalho ou qualquer outro recurso ou fator de produção.


Trabalhar mais, não significa ser mais produtivo.


Se produzirmos mais a trabalhar o mesmo número de horas que antes, significa que estamos a ser mais produtivos.


De igual modo, se obtivermos o mesmo resultado num menor número de horas, significa que fovos mais produtivo nas horas que trabalhámos.

Como posso ser mais produtivo e porque devo ser ou querer ser mais produtivo?


Para Maslow (1970) a remuneração é a razão pela qual um indivíduo procura um trabalho, dado que ela atende à necessidade mais básica da vida das pessoas.

Stiglitz e Shapiro (1984) afirmaram que um aumento da produtividade de um trabalhador está relacionado com o seu rendimento.

É evidente que o dinheiro não é tudo, mas, dificilmente gostaremos do que fazemos ou estaremos felizes ou realizados, se os resultados obtidos, fruto do nosso trabalho, não forem suficientes ou recompensadores do nosso esforço ou dedicação. E brevemente desmotivaremos.


Existem inúmeros fatores de motivação para além do dinheiro e variam de pessoa para pessoa, do grupo em que nos inserimos, da etapa que atravessamos, do incentivo ou reconhecimento que temos. Assim, para além do dinheiro os factores sócio-psicológicos são muito relevantes.


A motivação está ligada aos desejos, às ambições e ao bem-estar.

A felicidade não depende apenas do salário mas também da saúde, da vida familiar, das relações interpessoais com os colegas e do reconhecimento no trabalho.

A motivação é uma força motriz importante.

Por isso, para Dan Kennedy a produtividade extrema, é mais um problema de motivação insuficiente do que de gestão de tempo.

Na maioria das vezes, simplesmente não é suficiente motivar a determinação e a razão.


A maioria das pessoas não está suficientemente motivada, nem tem razões suficientes para fazer o que é necessário para ser superprodutiva.


A primeira coisa a ter é uma ambição específica. Saber exatamente o que queremos.


A segunda coisa é ter auto-consciência.


Temos de ser nós próprios, mentalmente, numa base de tempo real e não em retrospectiva, a determinar se o nosso comportamento está ou não a arruinar o nosso estado de ambição.


O nosso trabalho, é facilitar a nossa produtividade máxima com a melhor atitude mental para que possamos ser produtivos.

Mas, o que não se pode medir, não se será capaz de gerir.


Logo, temos de medir a nossa produtividade e defender um comportamento congruente e não ser tolerantes com algo que estrague a nossa produtividade, mesmo que o boicotador sejamos nós próprios.


E ao medir, apercebemo-nos da evolução, o quanto nos vamos aproximando da meta, mantendo-nos motivados.


Mas, para que tudo funcione é preciso começar.

E esse é o mal da maioria das pessoas. Existe uma ambição, até sabemos o que devemos fazer e/ou como chegar lá, mas, não arrancamos.


Ou porque somos perfeccionistas e queremos ter tudo controlado e não falhar e, por isso, planeamos, planeamos, planeamos, ….


Ou porque temos medo de perder ou não chegar lá e evitamos o sabor amargo da derrota.


Ou porque já perdemos demasiado tempo em preparativos ou indecisões e achamos que já não vale a pena prosseguir, pois, já é impossível.


E o nosso cérebro em vez de nos ajudar, contrariando esses medos ou impasses, vai-nos boicotar.

Isto porque o nosso cérebro é protetor.


Se lhe dermos tempo de pensar antes de uma tarefa, provavelmente não a vamos realizar porque o nosso cérebro vai boicotar a ação para nos proteger do stress.

O cérebro reptiliano é um animal de hábitos.


“Ter alguém menos experiente (mas de nível técnico superior) o tempo todo no topo, dando ordens infundadas e fazendo perguntas estúpidas. Isso só serve para dificultar as coisas. Bem, o neocórtex faz isso continuamente com o cérebro reptiliano (...)”

Dean Burnett, autor do livro O Cérebro Idiota

O cérebro humano moderno está constantemente a imaginar cenários e muitos desses cenários são inúteis e envolvem resultados negativos.


De certa forma, o cérebro constantemente assume o papel do nosso pior inimigo, tentando antecipar tudo e as coisas hipoteticamente más, acionando o mecanismo de detecção de ameaças, que nos causa stress e ansiedade.


Assim, como diz Dan Kennedy:

”É melhor começar mesmo na direção errada do que não começar, porque sempre podemos consertar a direção”.


Depois, é prosseguir e ir medindo e gerindo os resultados, corrigindo erros, melhorando processos e reduzindo os recursos necessários para nos tornarmos cada vez mais eficientes e mais produtivos, o que passa por fazer mais em menos tempo, evitando a síndrome do coelho da Alice que vive numa corrida contra o tempo, sem produtividade!






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